Perspectivas da Inadimplência B2B para 2026: Insights para Gestores
- 27 de fev.
- 9 min de leitura
Um resumo das projeções de especialistas e dos dados mais recentes de inadimplência B2B para 2026, oferecendo um panorama detalhado e estratégico, para auxiliar na tomada de decisões mais assertivas.
O cenário econômico brasileiro se prepara para um 2026 de grandes desafios e oportunidades no que tange à gestão de crédito e à inadimplência B2B.
Após um 2025 que registrou números recordes de empresas negativadas, a pergunta que paira sobre gestores de contas a receber e analistas de crédito é: o que esperar do futuro, especialmente até dezembro de 2026?

Panorama Atual: Recordes em 2025 e Transição para 2026
Para compreendermos as projeções para 2026, é fundamental olharmos para o ponto de partida. O ano de 2025 se encerrou com um marco histórico e preocupante: 8,9 milhões de empresas brasileiras se encontravam inadimplentes em novembro, o maior número já registrado, segundo dados da Serasa Experian[1]. Além disso, a taxa de inadimplência das empresas atingiu 4,7% em junho de 2025, conforme a FGV[7] . O montante total das dívidas negativadas alcançou a cifra de R$ 210,8 bilhões, com uma dívida média de R$ 23.790,80 por CNPJ.
Em novembro de 2025, 8,9 milhões de empresas brasileiras estavam com pelo menos uma obrigação vencida e não paga
O setor de Serviços liderou o ranking de empresas negativadas, representando 55,2% do total, seguido pelo Comércio com 32,7%[1]. Em uma outra perspectiva sobre os setores mais afetados pela inadimplência em 2025, destacam-se Varejo (28%), Serviços (22%) e Saúde (18%)[7]. A análise da economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, aponta para um quadro de crédito restritivo e juros elevados, que dificultou o alongamento de dívidas e levou as empresas a priorizarem despesas operacionais em detrimento de compromissos financeiros[1].
📈 Tendência: mesmo com políticas monetárias restritivas (juros elevados) e concessão de crédito controlada, as empresas têm acumulado uma base de inadimplentes em aumento contínuo ao longo de 2025, cenário que tende a refletir em 2026.

"Empresas que não tinham uma gestão financeira robusta sentiram o impacto da inadimplência em 2025.
Para 2026, a lição é clara: a análise de crédito precisa ser mais preditiva e menos reativa. Não basta olhar o retrovisor, temos que antecipar as curvas!"
Evolução da Inadimplência de Empresas
(2019–2025)
Ano | Empresas Inadimplentes (milhões) | Total Dívidas Inadimplidas (R$ bi) |
2019 | ~3,2 | ~90 |
2020 | ~4,8 | ~130 |
2021 | ~5,6 | ~145 |
2022 | ~6,1 | ~150 |
2023 | ~6,5 | ~155 |
2024 | ~6,9 | ~156,1 |
2025 | ~8,9 | ~210,8 |
Notas:
Séries históricas são compiladas com base em levantamentos anuais e mensais da Serasa Experian e press releases oficiais.
Ao longo da década, há tendência clara de crescimento da inadimplência em volume e em valor, com aceleração em 2024–2025.
Segmentos Econômicos Mais Impactados
Análises setoriais recentes indicam que a inadimplência é mais intensa em setores que dependem de prazos longos de recebimento ou que operam com margens reduzidas:
Principais setores com maiores registros de inadimplência empresarial:
Setor | Participação nas Empresas Inadimplentes (%) |
Serviços (incluso B2B e serviços profissionais) | 55,2% [1] |
Comércio | 32,7% [1] |
Indústria | ~8,0% estimado em relatórios setoriais [9] |
Agronegócio | evidências de risco crescente (BB e Reuters) [10] |
📌 Insight Técnico:
O segmento serviços, especialmente B2B (consultoria, TI, facilities, logística), apresenta forte concentração de atrasos, devido à combinação de baixa liquidez, prazos estendidos e sensibilidade a custo financeiro.
O comércio também tem mostrado aumento persistente de inadimplência, principalmente em cadeias de suprimentos dependentes de crédito de giro.
Perfil Regional de Risco
(Dados Complementares)
Embora não existam séries públicas detalhadas por UF para empresas, alguns levantamentos paralelos indicam:
Sudeste(SP, MG, RJ, ES): maior volume de crédito e, consequentemente, maior número absoluto de inadimplentes corporativos, mas com perfil de recuperação relativamente melhor que outras regiões.[11]
Nordeste e Norte: menor densidade econômica, mas indicadores relativos de inadimplência maiores em determinados segmentos, especialmente PMEs.
Agronegócio e Rural: por volta de 8,3% de inadimplência na população rural no Q3 de 2025, com variações significativas por UF (ex.: Amapá próximo de 19,8% e RS ~5,1%).[12]
👉 Gestores de crédito B2B devem incorporar análises regionais de risco ligadas à concentração geográfica de clientes e fornecedores, especialmente em especiais cadeias de produção agrícola e serviços correlatos.
Projeções para 2026: A Continuidade do Desafio e o Horizonte de Dezembro
As perspectivas para 2026 não indicam uma reversão imediata deste cenário. Pelo contrário, especialistas como a Allianz Trade, líder global em seguros de crédito, projetam uma continuidade na alta da insolvência de empresas no Brasil.
Após um aumento estimado de 18% em 2025, a previsão para 2026 é de um crescimento adicional de 5% a 7%, podendo ultrapassar a marca de 4.400 casos de falência, um novo recorde em 20 anos[2]. A expectativa é que o primeiro semestre de 2026 seja o mais crítico, com a inadimplência já em alta de 15,76% em janeiro de 2026 em relação ao mesmo período de 2025[4] .
Este movimento está atrelado a um ambiente macroeconômico que ainda inspira cautela. Embora o Relatório Focus do Banco Central aponte para uma leve melhora nas projeções de inflação (IPCA em 3,91% para o fechamento de 2026) e um crescimento do PIB em torno de 1,82% a 2,00% para o ano, a taxa básica de juros (Selic) deve permanecer em um patamar elevado, projetada em 12,13% ao ano para dezembro de 2026[3]. Juros altos encarecem o crédito, dificultam a renegociação de dívidas e pressionam o caixa das empresas, alimentando o ciclo da inadimplência.
As instituições financeiras projetam que a taxa de inadimplência da carteira livre feche 2026 em 5,2%[5]. A dinâmica mensal sugere que o pico da crise de liquidez pode ocorrer entre o segundo e terceiro trimestres, com uma possível estabilização próximo a dezembro, mas ainda com um estoque de dívidas recorde.
Quadro Comparativo: Inadimplência B2B 2025 vs. Projeção Dezembro 2026
Indicador | 2025 (Realizado x Estimado) | Dezembro 2026 (Projeção) | Tendência |
Nº de Empresas Inadimplentes | 8,9 milhões (Nov/25) [1] | Leve aumento, mas com estoque elevado. | ⬆ Alta |
Casos de Insolvência/Falência | ~4.150 casos (Estimado) [2] | > 4.400 casos [2] | ⬆ Alta |
Taxa Selic (final do período) | 12,50% (Dez/25)[3] | 12,13% [3] | ➡ Estável/Leve Queda |
Crescimento do PIB | ~2,0% (Estimado) [6] | 1,82% [3] - 2,00% [6] | ➡ Estável/Leve Queda |
IPCA (Inflação) | ~4,5% (Estimado) [3] | 3,91% [3] | ⬇ Queda |
Taxa de Inadimplência (Empresas) | 4,7% (Jun/25) [7] | 5,2% (Dez/26) [5] | ⬆ Alta |
Risco de Crédito Percebido | Elevado | Muito Elevado | ⬆ Alta |
Projeção Estratégica (2026)
Indicador | Projeção |
Total Inadimplência Empresas | 9,5–10,5 milhões CNPJs |
Total Dívidas Inadimplidas | R$ 230–260 bilhões |
Taxa de inadimplência corporativa média (BCB) | 2,6–3,0% |
Serviços e Comércio | continuam liderando em volume |
Nota:
Projeção baseada em tendências recentes, ritmo de crescimento médio anual e juros estruturais.

"Gestores, atenção ao quadro!
A tendência de alta nas insolvências, mesmo com uma melhora marginal nos indicadores macro, significa que o risco está mais concentrado.
Em 2026, será crucial diferenciar as empresas que estão passando por dificuldades conjunturais daquelas com problemas estruturais.
A tecnologia de análise de crédito será nossa maior aliada para fazer essa distinção com precisão cirúrgica.
E fiquem de olho no fiscal! Ele é o grande maestro da Selic e, consequentemente, do alívio (ou aperto) no caixa das empresas até o Natal."
Motores Macroeconômicos que Moldam este Cenário [13]
✔ Juros ainda elevados em 2026 (Banco Central mantido em níveis altos recentemente) tendem a prolongar custos de capital e pressionar fluxo de caixa corporativo.
✔ Crédito corporativo em expansão moderada pode agravar riscos de atraso caso concessão não seja acompanhada por políticas de risco robustas.
✔ Economia lentamente se ajustando, mas sem recuperação robusta de demanda interna, limita a margem de lucro de muitos setores.
Estratégias para Gestores de Contas a Receber e Analistas de Crédito
Diante deste cenário, a postura dos profissionais de crédito deve ser proativa e estratégica. É importante ressaltar que, em 2025, a recuperação de crédito judicial mostrou-se um desafio, com apenas 12% dos valores sendo recuperados sem auxílio especializado, segundo o CNJ[8]. Este dado reforça a necessidade de estratégias mais eficientes e preventivas. A seguir, listamos algumas recomendações essenciais:
Reforce a Análise de Crédito: Utilize ferramentas que vão além da consulta básica. Modelos de score de crédito, análise de balanços e o monitoramento contínuo da saúde financeira dos clientes são indispensáveis. Considere o histórico de pagamentos, mas também as perspectivas do setor em que o cliente atua.
- Estratificação de risco por setor e região para definir limites de crédito,
- Modelagem de probabilidade de default (PD*) e exposição ao default (EAD**) por cliente.
Diversifique as Garantias: Não confie em um único tipo de garantia. Explore opções como duplicatas, recebíveis de cartão, seguros de crédito e fianças bancárias para mitigar os riscos em operações de maior valor.
- Priorização de chamadas antecipadas de garantias e seguros de crédito.
Adote uma Política de Cobrança Inteligente: A régua de cobrança deve ser segmentada por perfil de cliente e risco. Utilize a tecnologia para automatizar os primeiros contatos e personalize a abordagem para casos mais críticos. A negociação amigável e a oferta de condições flexíveis podem ser mais eficazes do que a judicialização imediata.
- Implementação de cadências automatizadas de cobrança;
- Incentivos à renegociação com descontos por pronto pagamento;
Monitore o Mercado: Acompanhe de perto as notícias e os indicadores econômicos do setor de seus principais clientes. Uma crise em um determinado segmento pode ser um sinal de alerta precoce para a sua carteira.
- Conectividade com bureaus para atualização de scores de crédito e alertas de tendência de atraso;
- Análise de comportamento por cluster de clientes para detectar deterioração antecipadamente.
O ano de 2026 se desenha como um período de continuidade nos desafios da gestão de inadimplência B2B. A combinação de um crescimento econômico modesto com juros ainda elevados manterá a pressão sobre o caixa das empresas.
Para os gestores de crédito, a postura será o grande diferencial para navegar com sucesso por este cenário e proteger a saúde financeira da carteira de recebíveis:
Vigilância constante,
Aprofundamento no uso de tecnologias de análise de dados
Implementação de estratégias de cobrança e mitigação de risco mais sofisticadas.
Capacidade de antecipar tendências e de agir preventivamente.
Redução da régua de cobrança, principalmente para inadimplentes recorrentes, e enviar antecipadamente para assessoria de cobrança.
A LATINA atua de forma estruturada, com processos alinhados às melhores práticas de mercado, respeito ao relacionamento comercial e foco na recuperação sustentável do crédito.
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Referências:
[1] Serasa Experian. "Novo recorde: Inadimplência alcança 8,9 milhões..."
Disponível em: Novo recorde: Inadimplência alcança 8,9 milhões de empresas brasileiras em novembro com R$ 210 bilhões em dívidas, aponta Serasa Experian - Serasa Experian (Acessado em 27/02/2026).
[2] Legislação & Mercados (por Allianz Trade ). "Allianz Trade prevê aumento..."
Disponível em: [3] Banco Central do Brasil. "Relatório Focus". Disponível em: https://www.bcb.gov.br/publicacoes/focus (Acessado em 27/02/2026, dados do relatório de 20/02/2026).
[4.] CNDL. "Com o pior janeiro da história, Brasil inicia o ano com 73,30 milhões..."
Disponível em: Com o pior janeiro da história, Brasil inicia o ano com 73,30 milhões de consumidores inadimplentes, aponta CNDL e SPC Brasil - Varejo S.A (Acessado em 27/02/2026).
[5] Valor Econômico. "Inadimplência vai à máxima histórica com juro alto...".
Disponível em: Inadimplência vai à máxima histórica com juro alto e endividamento | Finanças | Valor Econômico (Acessado em 27/02/2026).
[6] InfoMoney. "'Prévia do PIB' surpreende, avança 2,5% no ano e aponta..." Disponível em: ‘Prévia do PIB’ surpreende, avança 2,5% no ano e aponta rumo da economia em 2026 (Acessado em 27/02/2026).
[7] FGV. "Indicador de Tendência de Consumo e Varejo".
Disponível em: https://portal.fgv.br/sites/default/files/uploads/fgvcevjun2025v2 (Acessado em 27/02/2026, dados de jun/2025 ).
[8] CNJ. "OS IMPACTOS DAS EXTINÇÕES DE EXECUÇÕES...".
Disponível em: https://www.cnj.jus.br/wp-content/uploads/2025/09/relatorio-eficiencia-judicial (Acessado em 27/02/2026, dados de set/2025 ).
[9] Serasa: "Ano de 2024 fecha com 6,9 milhões de empresas inadimplentes".
Disponível em: Ano de 2024 fecha com 6,9 milhões de empresas inadimplentes, revela Serasa Experian - Serasa Experian (Acessado em 27/02/2026).
[10] Reuters: "Banco do Brasil facing record agribusiness..."
Disponível em: Banco do Brasil facing record agribusiness default levels, CEO says | Reuters (Acessado em 27/02/2026).
[11] ANBC: "Crédito cresce no Sudeste com avanços em todos os estado..."
Disponível em: Crédito cresce no Sudeste com avanços em todos os estados e dívida média de R$ 6,5 mil (Acessado em 27/02/2026).
[12] Revista Cultivar: "As taxas de inadimplência atingem 8,3% da população..."
Disponível em: As taxas de inadimplência atingem 8,3% da população rural no terceiro trimestre de 2025 - Cultivar Magazine (Acessado em 27/02/2026).
[13] Reuters: "Emprestimos bancários no Brasil superam a previsão do BC".
Disponível em: Empréstimos bancários no Brasil superam a previsão do banco central com aumento de 10,2% em 2025 | Reuters (Acessado em 27/02/2026).
(*) Probabilidade de Default (PD): É a probabilidade estatística de um cliente não pagar sua dívida dentro de um determinado período (ex: 12 meses).
(**) Exposição ao Default (EAD): valor financeiro que estará em risco no momento em que o cliente se tornar inadimplente.



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